sexta-feira, 26 de abril de 2013

Eduardo Campos e a arte de tirar as meias sem descalçar os sapatos

A primeira parte da biografia de Getúlio Vargas tem algumas passagens muito semelhantes com os dias atuais. O processo que levou Vargas a se colocar como presidenciável, por exemplo, é parecido ao vivenciado por Eduardo Campos. Uma frase sobre o ex-presidente, dita por um amigo deste, poderia muito bem se aplicar ao governador de Pernambuco: 'É tão ladino que é capaz de tirar as meias sem sequer descalçar os sapatos'.

A seguir, trechos do livro. Troquem Getúlio por Eduardo e Rio Grande do Sul por Pernambuco.

Getúlio: 'Não quero jogar o RS numa aventura visando a minha pessoa, mas receio, por excesso de solidariedade com o presidente da República, sacrificar a oportunidade do RS'

Amigo de Getúlio: 'Temos que encaminhar os fatos com prudência, mas não podemos deixar que passe a nossa hora, como um índio preguiçoso que vê apodrecer a fruta madura na árvore por indolênia de colhê-la'

Trecho do livro: 'Getúlio temia que a candidatura sofresse morte precoce, vítima de inanição pela simples ausência de novos apoios estaduais. Sem um vice de peso, não adiantaria partir para o embate'

A palavra de ordem que mais se ouviu naqueles dias em Porto Alegre (ou agora seria o Recife?) foi uma só: 'É preciso rio-grandesizar o Brasil'

Amigo de Getúlio: 'Teremos luta e bravia. A vitóra ou derrota virão. Serão iguais para nós porque nem uma nem outra aumentam ou diminuem nossa dignidade. A capitulação é que será a nossa vergonha e a eliminação definitiva do RS da política do Brasil'

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

O mercado pune

Li aqui no Facebook (não vou citar quem foi; se ele quiser que se pronuncie) que um colega de profissão prepara uma mudança de rumo. O jornalismo vai ficar em segundo plano para dar lugar a cursos (e quem sabe futuramente trabalhos?) na área de administração. Está virando rotina: a cada dia, descubro um novo jornalista que pensa ou tenta mudar de terreno.

Entendo quem segue este caminho. É o baixo salário, a falta de reconhecimento, a vida jornalística que se torna corrida em excesso para o coração. Tudo isso junto e mais um monte de outros fatores. De longe, acompanho e lamento. Ainda mais quando o (candidato a) desertor em questão é talentoso no jornalismo (caso desse meu colega, que tem textos brilhantes).

Apesar das constantes notícias de desemprego na área, sempre tive a sensação de que o mercado (igual à bola no futebol) punia. Quem era boa se estabelecia. Quem era ruim não duraria muito. Vi muita gente sair do jornalismo para o direito, administração, salão de beleza, caixa do banco e achava graça. Eram pessoas talhadas para qualquer coisa na vida, menos o jornalismo.

Mas o mercado tem punido quem é bom. Me entristece ver gente que faz a diferença com seus textos e ideais no jornalismo migrando de área porque espera ter um futuro menos incerto e mais decente. Dá vontade de dizer 'Ei, não faz isso, pensa bem'. Mas quem pensa bem sou eu e entendo as razões da mudança.

Apesar dos dissabores inerentes à profissão, ainda me vejo de bem com o jornalismo. Já falei disso outras quatrocentas vezes: a profissão que abracei e que me abraçou me deu lugares, pessoas, alegrias e bens impensáveis e inacessíveis a um garoto que mal tinha um pau para dar num gato (minha vó usava essa expressão para deixar bem claro qual a situação da minha família).

A alegria (gire a roleta e mude os adjetivos para teimosia, persitência, inocência) de ser jornalista ainda existe. Temo que um dia ela suma e eu pense em mudar de área porque vai ser a maneira mais digna de honrar os compromissos financeiros e construir uma família. Coitado de mim. Teria que, na casa dos 30 e poucos anos, descobrir ou inventar uma habilidade que hoje é totalmente desconhecida.

Assim como alguns amigos, vez por outra, penso em mudar a direção do curso profissional. Ainda não tive a coragem ou vontade concreta de iniciar a mudança, como tantos outros. A esses competentes colegas de profissão eu desejo que a travessia valha a pena. E se decidirem voltar ao jornalismo que possam recomeçar com um novo fôlego e com mais sorte. Talento, eu sei, há de sobra.

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Se essa rua fosse minha



A maioria das pessoas que conheço é possessiva com outras pessoas e objetos. Eu tenho um sentimento de posse diferenciado. Geográfico para ser mais exato. Sinto ciúmes da rua Gervásio Pires, no centro do Recife, onde cresci e passei boa parte da infância e adolescência entre as casas de nº 539 e 545 – coladas uma na outra, com uma passagem no quintal que interligava as duas e tanto me divertia.

Passo pela Gervásio algumas vezes por semana porque, dependendo de onde esteja, ela é o caminho mais curto para voltar para casa. Essa freqüência já deveria ter banalizado qualquer tipo de saudade, nostalgia ou outro sentimento que signifique um aperto no peito e um mergulho nas lembranças. 

Mas estou longe de ser frio com a Gervásio. Lá, no engarrafamento, pedestres e outros motoristas olham para o meu carro e enxergam um homem de 32 anos preso no trânsito. Esse homem de 32 anos olha para a rua e vê, em poucos segundos ou alguns minutos, a depender de como está o fluxo de veículos, o que ninguém mais ali consegue ver.

As casas residenciais deram lugar a comércios. A rua agora é tomada por flanelinhas e comerciantes que enxergam nela apenas o ganha-pão. A Gervásio teima em deixar de ser a MINHA rua para se tornar uma rua qualquer da cidade. Pessoas sem nenhum sentimento ou apego as suas calçadas e fachadas chegam, abrem as lojas, trabalham e torcem para sair dali o mais rápido possível. São pessoas estranhas dominando e descaracterizando a rua onde cresci e me criei. 

A Gervásio se estende da Av. Visconde de Suassuna até o Pátio de Santa Cruz. É um trajeto relativamente longo, que fica maior se o sujeito resolver caminhar debaixo do sol forte. Mas a parte da rua que me toca é curta e vai de uma esquina à outra do Hospital do Exército. Ali estão depositadas as melhores lembranças da minha infância e adolescência.

Esta semana, percorri o meu trajeto sentimental a pé. Não foi nada programado. Vanessa ia me pegar no meio da rua pra gente ir lanchar, fui andando e acabei parando em frente a uma das casas onde morei. A residência nº 539, que já abrigou o salão da minha tia Giselda e a fotocopiadora em que trabalhei com meus primos e já foi ponto de concentração familiar para o Galo da Madrugada, hoje é uma loja de aluguel de roupas.

Convenci Vanessa a estacionar – quase não há vagas na rua hoje em dia, mas por sorte havia uma disponível – e entramos na loja sob o disfarce de clientes. A que ponto cheguei: fingi que estava interessado em um terno para poder colocar os pés de novo dentro daquela casa.Mal passei da porta e tive a dolorosa certeza que o estranho na Gervásio sou eu.

A funcionária da loja me recebeu com o desdém que só os vendedores sabem ter quando farejam que o cliente não vai comprar nada. Doeu perceber que ali estava mais deslocado e fora do lugar do que a vírgula que separa erradamente o sujeito do verbo. A sala onde eu me esbaldava com meus primos depois que o salão de beleza fechava estava apinhada de ternos, vestidos de noivas e roupas de festas.

Cogitei contar a verdade. Explicar que não queria terno nenhum, apenas sentir o passado de forma mais palpável. Ela me chamaria de louco. Pior: chamaria a polícia. E se eu pedisse para percorrer toda a extensão da casa? Doeria mais ver que o que antes era um corredor, quartos, cozinha e quintal agora era apenas um depósito de caixas e notas fiscais?

Saí meio atarantado com o choque de realidade que mal olhei para trás. Tinha imaginado que me demoraria mais tempo ali e faria uma comparação mental entre o passado e o presente. Nunca passo pela Gervásio a pé. Imaginava que contemplaria a fachada da casa de nº 545 (hoje fechada e abandonada) também. Corri. Frouxo. Covarde. Sentimentalista. Saudoso. Corri. Morri.

Ainda passarei pela Gervásio muitas e muitas vezes. De carro. A pé. Sozinho. Com Vanessa. Com meus filhos no futuro. Se o tempo for amigo, com os netos. Posso morar fora do Recife. Mas nas férias sei que vou querer passar na Gervásio para um alô breve. De dentro do carro que seja. Não importa que a Gervásio esteja com Alzheimer e não me reconheça. Eu sempre me reconheço nela. Lá a visão alcança o presente e o coração volta ao passado e eu dou muito valor a isso.

* Na Gervásio da minha infância, não havia tantos carros e era possível brincar na rua até mais tarde. Pega, esconde-esconde, polícia e ladrão. Aos domingos, dava até para improvisar uma barra com chinelas e bater bola.

* Na adolescência, era lei montar mesas e cadeiras na rua para jogar dominó. A entrada do Hospital do Exército, hoje na rua do Príncipe, ficava no lado da Gervásio e todos se sentiam seguros.

* A família inteira se reunia na Gervásio para aquecer as energias para o Galo da Madrugada. Eu era criança e já gostava de carnaval e da folia de ver todo mundo animado. No Natal, as duas casas eram o ponto de encontro para o amigo secreto. Nesses encontros, sempre tinha briga (família ê, família ah, família), mas o que fica são as boas recordações.

* É na Gervásio que existe uma das fotos que mais gosto com minha avó. Eu criança e ela lavando meus pés, sujos de tanto correr de um lado para o outro da rua, para que pudesse entrar em casa. Perdi a minha cópia, mas sei que tem uma na casa da minha tia Ivone.

* Foi na Gervásio que vi o Brasil ser tetracampeão. Tinha 14 anos e fui para a casa de dona Jandira ver o jogo. A televisão ficou na porta e a gente na rua acompanhando a decisão por pênaltis. Por falar em Copa do Mundo, a minha primeira lembrança é do Mundial de 86. Lembro ainda que pouco da rua enfeitada por bandeiras e da minha mãe desmaiando após a decisão por pênaltis com a França.

* Era bom morar na Gervásio e estar perto do parque 13 de maio, da Mesbla, dos cinemas São Luiz, Moderno e Veneza, do desfile de 7 de Setembro na Av. Conde da Boa Vista. Era bom poder ir andando para a escola, fosse ela particular ou de governo (estudei nas duas).

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Música e um coração cheio de açúcar


A vida às vezes surpreende em coisas bobas. Hoje fui trocar de carro e acabei trocando de espírito. Deixei meu Clio para um reparo e a seguradora me ofereceu um Gol. Carro básico, quatro portas, ar-condicionado, com som já instalado. Liguei, engatei a primeira e saí da oficina sem me dar ao trabalho de mudar o dial pré-configurado.

Não sei pelas mãos de quantos motoristas o carro passou, mas o último certamente sofria ou vibrava de amor. Percebi isso agora à noite quando liguei o rádio.  O pitoco estava sintonizado numa dessas estações que trazem o amor, seus sabores e dissabores como programação.

Pensei em girar o dial e encontrar uma das rádios que sempre escuto, mas a preguiça foi maior. A preguiça, claro, é desculpa. Deixei na estação pelo simples desejo de sair da rotina em algo tão banal e pela vontade de ouvir um monte de gente, brasileira e estrangeira, falando de amor.

Não, não estou carente. A dor de cotovelo já não me atinge há séculos. A cornidão, essa danada que nos impulsiona até o copo de cerveja e o cd de Reginaldo Rossi mais próximos, também não maltrata minha vida. Mas que se danasse o futebol, as informações sobre o trânsito e Chico Buarque cantando ‘Apesar de você’. O coração pedia mais açúcar.

O rei Roberto tocou e fez bonito, como sempre faz (vá por mim: você se torna uma pessoa melhor quando aprender a dar valor ao Inimitável). Fábio Júnior demarcou seu território e Fágner, com Deslizes, chegou com tudo. Quem sabe fez alguém chorar em outro veículo, na sala de casa ou no último banco do ônibus a caminho de casa.

Em uma programação meio esquizofrênica, a rádio misturou canções de amor nacionais e internacionais. Umas duas músicas estrangeiras eu recordei de ter ouvido quando era o garoto magrinho e desinteressante ignorado pela menina mais bela da turma (toda turma tem uma, embora dez anos depois ela perca feio para aquela que era o patinho feio. Um viva a evolução das espécies).

Não me perguntem a razão, mas hoje fiquei feliz simplesmente por ter ouvido músicas feitas por e para pessoas de coração aberto, de coração ferido, de coração cheio de amor.

Amanhã a caminho do trabalho, a programação volta ao normal. Vou querer ouvir as resenhas esportivas, as notícias da cidade e Marcelo Jeneci ou Céu cantando o amor refinado. À noite, na volta para casa, quem sabe, o pitoco não cai de amores mais à esquerda ou à direita à procura em busca de uma canção de versos fáceis. É o rádio a preparar a mente e o coração para a cervejinha do final do dia e para as alegrias do final de semana de folga.

sexta-feira, 2 de março de 2012

Sobre gays e o amor familiar

Já falei da barraca do Galego aqui no blog. O fiteiro, que fica na rua onde moro, é um lugar ideal para a troca de ideias - não necessariamente as minhas. Quando vou lanchar por lá, sempre me divirto com as pérolas do Galego e de seus clientes. No entanto, nesta sexta-feira, escutei algo que me envergonhou. Enquanto comprava um brebote qualquer, escutei a frase 'As bichas estão em polvorosa'.

Não demorou muito e entendi sobre o que se baseava a conversa: a decisão da Justiça de permitir que um casal gay registre uma recém-nascida como filha. O tom da conversa, claro, era de reprovação. Não sei se as "bichas", como eles falaram, estão em polvorosa. Eu fiquei. Primeiro, senti vergonha da conversa alheia. Depois, senti vergonha de mim porque não interferi e não manifestei minha opinião. Mas, já faz tempo, aprendi que só um doido dá freio em outro e não sou louco para desperdiçar meu tempo em um debate insano e preconceituoso.

Imagino que esta menina, se criada com muito amor e carinho, irá se tornar uma pessoa muito melhor que qualquer outra criança tratada na base do leite de ninho em muitos lares totamente heterossexuais. Sim, porque às vezes nas famílias ditas comuns ou normais, há de tudo. Menos amor. Conheço muita gente mal-educada e 'do mal' que cresceu sob os cuidados de um pai e uma mãe convencionais. Também conheço homossexuais que são gente da pior espécie.

Ou seja, a orientação sexual das pessoas não é o que determina se ela é uma pessoa boa ou ruim. O que vale é amor, cuidado, carinho, atenção, respeito, educação e isso pode ser dado por pai e mãe, pai e pai ou mãe e mãe. Dizer isso é chover no molhado, eu sei. Bom, talvez seja para mim, mas certamente não é tão simples assim para os frequentadores da barraca do Galego.

Falando assim até parece que sou o maior defensor da causa gay. Não, não sou. Tenho amigos homossexuais pelos quais tenho um enorme carinho, mas sei pouco do que se passa do lado de lá da fronteira. E, sim, também tenho os meus momentos de preconceito. Diminui em 80% as minhas piadas e brincadeiras sobre o universo gay. Não sei se vou melhorar 100% um dia porque faço piada até de mim, quem dirá dos outros. Mas sigo na luta, prestando cada vez mais atenção ao que falo e brinco, sobretudo, com quem tenho liberdade.

Como falei antes, a causa gay não é minha. Mas a decisão da Justiça hoje é uma causa de cidadania. Acho que por isso resolvi escrever este texto. Não tive coragem de confrontar as ideias arcaicas dos frequentadores da barraca do Galego, mas agora posso imprimir este relato e pedir para o Galego colar no fiteiro dele e deixar lá por uma semana. Entre um cafezinho, um lanche e uma tragada no cigarro, alguém, quem sabe, passe a recondiderar a forma de ver o mundo.

E antes de terminar, gostaria de ressaltar a belíssima capa do Diario de Pernambuco. O jornal em circulação mais antigo da América Latina mostrou, mais uma vez, o que é ser moderno diante de temas que merecem a atenção jornalística.

Leia também: 'O menino do fiteiro'

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Só entende quem namora

Se houvesse um prêmio Pulitzer para os jornalistas que reclamam pouco da profissão, certamente eu estaria entre os finalistas. Já comentei em outro texto que devo muito ao jornalismo. Graças a ele, fiz grandes amigos, conheci lugares bacanas e hoje tenho uma vida bem diferente daquilo que, na teoria, seria possível para alguém que vem de uma família bem humilde.

Assim como meus colegas jornalistas, também gostaria que a profissão fosse mais respeitada, que os salários fossem mais dignos, que a rotina fosse menos massacrante. De qualquer maneira, até que reclamo pouco porque de fato tenho muito mais a comemorar do que a lamentar.

Agora, vejam a ironia do destino. Eu, que pouco sou de reclamar do jornalismo e da rotina que abracei, hoje estou de mal com os dois. Por conta do trabalho, estarei na redação na noite desta quarta-feira e não poderei estar perto de Vanessa quando sair o resultado do Prêmio Cristina Tavares.

É o segundo ano consecutivo que Vanessa chega à final do prêmio junto a uma turma muito boa. Em 2011, ela não ganhou e pude estar perto para abraçá-la e dizer “ano que vem tem mais”.  Este ano, se ela ganhar, o Cristina Tavares vai ter que dividir espaço na estante com o Prêmio Embratel, 5º Concurso Tim Lopes de Investigação Jornalística, o 27º o Prêmio de Direitos Humanos de Jornalismo e o 32º Prêmio Vladimir Herzog.

Vanessa tem “apenas” três anos como profissional e é um orgulho danado para a família. O melhor de tudo é que ela sabe, assim como todo bom jornalista deve saber, que premiações são importantes, mas que ser um bom ou mau profissional independe da avaliação de um conjunto de jurados de um prêmio X, Y ou Z.

Tenho orgulho danado de Vanessa. Não digo isso pelos prêmios conquistados, mas porque sei do comprometimento dela com a profissão. Mesmo em empresas diferentes, ou concorrentes para ser mais exato, acompanho com atenção a dedicação dela ao jornalismo e à produção jornalística, quase sempre relegada a segundo plano em detrimento de quem bota a cara no vídeo.

Nesta quarta-feira, estarei metido até o pescoço no Campeonato Pernambucano. A atenção com o Sport, Náutico e Santa Cruz será a mesma desde que o torneio começou, mas meu coração vai estar na cerimônia do Cristina Tavares. Este texto poderia ser uma forma de sublimar a tristeza por estar longe de Vanessa no evento (o que é verdade), porém é muito mais do que isso. É uma declaração de amor, de boa sorte e de sucesso e uma forma de dizer que ela é e sempre será importante independente de quantos prêmios conquiste na vida.


E se o jornalismo me sacaneou nesta quarta-feira por me deixar na redação até tarde em um dia importante para mim, o calendário foi mais camarada. Na quinta, nosso aniversário de namoro, o expediente será normal e a parte premiada e a parte orgulhosa do casal poderão se juntar para comemorar e compartilhar uma felicidade que não pode ser classificada “apenas” como 1º, 2º, ou 3º terceiro lugares porque vai muito além de qualquer diploma ou troféu.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Vai amor aí?

Hoje é aniversário da minha tia Ivone. Aquela que é como minha segunda mãe e de quem já falei aqui. Não saberia o que dar de presente para ela. Utensílios para casa seriam uma tremenda falta de sensibilidade. Roupas, perfumes, brincos... nada disso serve, pois a vaidade para esse tipo de mimo passa longe da vida dela. Na falta de uma opção, levei minha tia para conhecer dois grandes ídolos: Graça Araújo e Geraldo Freire.

Quem é de Pernambuco sabe que eles trabalham em uma empresa concorrente a minha. Quem é daqui também talvez ache que o sonho da minha tia seja acanhado com tantas novas “celebridades” surgindo diariamente. Mas Ivone é ouvinte de rádio daquelas fiéis. Diariamente, ela tem um encontro marcado com Geraldo pela manhã e outro com Graça à tarde.

Minha tia é uma pessoa simples, assim como toda a minha família. Não, não sabemos a diferença entre um talher para comer peixe e outro para comer carne. Nos feriados, não vamos para a nossa casa de praia em algum paraíso pernambucano, pois não temos nenhuma. Falando mais especificamente de Ivone, a grande diversão dela não é ir ao shopping fazer compras. O barato de Dona Maria, como a chamo, é cozinhar e ouvir rádio.

Essa vontade de conhecer Graça e Geraldo acompanha minha tia há anos. Sei que fiz um bem enorme ao levá-la para os estúdios da Rádio Jornal. Para ser sincero, não fui eu quem a levei. Apenas deixei Ivone na frente da rádio. Quem a acompanhou foi Vanessa, que trabalha na TV Jornal. Foi ela quem teve todo o trabalho de costurar a visita e ficou ao lado da minha tia em cada minuto de tietagem.

Dou valor a atos grandiosos na forma e no conteúdo e aos que são pequenos por fora e grandes por dentro. Antes de ser minha namorada, Vanessa é jornalista e produtora da TV Jornal. Ela tinha todo o direito de se recusar a me ajudar a realizar o sonho da minha tia, alegando que pagaria um mico enorme no trabalho por levar uma pessoa de fora para conhecer colegas de profissão.  Mas aí entrou o amor.

Entrou o amor que tenho por Ivone. Coloque também o amor que Vanessa tem por mim e por minha tia.
Não deixemos de fora o amor que Ivone tem por Geraldo e Graça. Não vi como foi o encontro da fã com seus ídolos, mas o sorriso e o tal brilho nos olhos que a gente sempre fala em situações como essa deixaram pistas de que a visita à Rádio Jornal foi um dos melhores presentes que Dona Maria poderia ter recebido.

Agora, Ivone tem história para contar aos vizinhos, filhos, sobrinhos, amigos. Em breve, terá fotos da visita. Estou orgulho pelo presente que dei a minha tia. Estou orgulhoso por ela, pois chegar ao 70 anos com sonhos na vida, por mais simples que sejam, é uma dádiva. Ela deve ter outros, pequenos, médios, grandes para mim ou para você. Não importa. São os sonhos de alguém que ajudou a me criar. Tomara que possa continuar realizando todos eles em parte ou na sua totalidade.

Estamos apenas no 12º dia de 2012, mas eu sei que pelas bandas da minha vida tem amor de sobra. E que o tanque pro resto do ano continue cheio.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Feliz hoje, amanhã e sempre para você

A maior parte das pessoas que conheço já começou a contagem regressiva para a virada de ano desde o Natal pelo menos. O coro do ‘já deu, 2011’ é grande. Entendo a pressa de alguns amigos para os quais 2011 não foi nada grato. Para eles, desejo que 2012 trate de compensar as tristezas que transcorreram este ano em suas vidas.

Sei bem como é isso de torcer para que o ano termine logo. Em 2009, um ano de algumas fortes tristezas, rezei para que as folhas do calendário caíssem rapidamente. A doce ilusão de que tudo ficará melhor quando colocarmos os pés no dia 1º de janeiro... Bom, pelo menos para minha sorte, 2010 de fato foi melhor que o seu antecessor.

Aqueles que se divorciaram, perderam familiares e amigos, ficaram desempregados e tiveram outras dores particulares têm a sua razão de querer uma mudança de ano. Mas acho que a maioria de nós sonha com o Réveillon sem um motivo aparente, apenas pelo simples desejo de se livrar daquilo que considera velho.

Também já fui apressado com o calendário. Era tanta afobação que mal conseguia aproveitar a última semana de dezembro tamanho o banzo com o ano corrente somente porque ele havia envelhecido. Isso mudou. Não sei se coloco na conta da maturidade, mas a verdade é que faço questão de encarar os últimos dias do ano sem desprezo e pressa alguma.

Hoje é 27 de dezembro e falta muito pouco para que a gente veja fogos de artifício e rolhas de champanhe pipocando numa saudação a 2012. Mas ainda é 2011 e dá tempo de correr atrás daquele emprego, pedir perdão, aceitar desculpas, reatar amizades e namoros, se matricular em uma academia, se declarar para alguém, fazer aquela visita especial...

Feliz 2012. E um feliz restinho de 2011 porque ainda dá tempo de ser feliz hoje, amanhã e sempre.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Reflexões, promessas, perguntas e respostas

É tentadora demais esta época de final de ano. Não falo das comidas, que merecem um capítulo à parte em qualquer blog - gastronômico ou não -, mas sim daquela vontade que recai em (quase) todo ser humano quando chega dezembro: a de fazer um balanço do que passou e uma lista de planos para o futuro.

As velhas reflexões e resoluções de fim de ano estão aí em toda parte. Nos blogs, perfis do Twitter e Facebook, nas mentes das pessoas, nas conversas de elevador e nos bate-papos animados por uma cervejinha com caldinho de feijão no fim do dia. É raro encontrar quem não já tenha feito, ainda que mentalmente, uma extensa lista de promessas a cumprir e outra só de hábitos a serem abandonados.

Particularmente, procuro fugir das “armadilhas” desta pré-temporada de Natal e Ano Novo. Planejamento é fundamental, mas o tempo ou a vida ou sei-mais-lá o que já me mostrou que não devo gastar tanto neurônio com certos planos ou promessas. É aquela história de “quando a gente acha que sabe todas as respostas vem a vida e muda todas as perguntas”.

Sim, eu sei, a frase é bem clichê. Não é à toa que vejo ela ser tuitada e retuitada a todo instante. Li dia desses no perfil de algum colega e agora, confesso, tive que recorrer ao Google para saber como era exatamente. Dizem que é do Luis Fernando Veríssimo, mas ele já negou a autoria de tantos textos que circulam pela web que acho mais prudente desconfiar da autoria da frase. Bem, isso é outra história.

Como eu estava falando, não sou muito de fazer planos futuros e promessas de fim de ano. A vida é muito dinâmica e não gosto de querer me prender a certos scripts. Comigo, a tática não funciona. Me perdoem o rompante de egocentrismo, mas acho que na minha vida tudo muda o tempo todo mais do que na vida dos outros. Por isso não faço planejamentos mirabolantes.

No ano passado, era repórter do caderno de Suplementos do Diario de Pernambuco. Agora, sou editor do www.globoesporte.com/pe. Entre um emprego e outro, tive uma honrosa passagem pela editoria de Política do Jornal do Commercio. Em dezembro de 2010, eu escrevia sobre Tecnologia e Assuntos Infantis (para o suplemento infatil Diarinho) e agora a minha vida jornalística gira em torno do futebol basicamente.

Aquele cara (eu!!!) que ia a campo torcer e berrar pelo time teve que aprender a deixar a paixão clubística um pouco de lado para encarar o time de coração e os rivais com o mesmo olhar. Eu jamais poderia imaginar, no fim do ano passado, que chegaria a dezembro de 2011 vendo o futebol como trabalho. Isso não é fantástico? Acho que o Luis Fernando Veríssimo ou alguém que pensa que é ele está certo: quando a gente acha que sabe as respostas...

Mudou muita coisa de 8 de dezembro de 2010 para 8 de dezembro de 2011. Algumas mudanças foram fruto de meu empenho pessoal, porém a maioria dos desvios de rota ocorreu sem que eu planejasse. Por isso não quero fazer planos (ou promessas) de que em 8 de dezembro de 2012 estarei casado ou solteiro, no emprego X, Y ou Z, no Recife ou em outra cidade. A exemplo do ano passado, quero apenas agradecer pelos momentos vividos e pelas pessoas que cruzaram o meu caminho.

Amores, empregos, pessoas, lugares vêm e vão graças aos nossos esforços (nada cai do céu, fio), mas, faz tempo, aprendi que não adianta querer arrancar os cabelos quando o trem sai um pouco da linha. Que neste final de 2011 e por todo o ano que vem e os próximos e os próximos e os próximos eu possa estar aqui para, parafraseando Gabriel Garcia Marquez, “vivir para contarla”. A vida fica melhor sem perguntas, respostas, teorias e frases pré-fabricadas, ainda que sejam registradas em cartório pelo grande Luis Fernando Veríssimo. Que 2012 venha cheio de surpresas boas.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Então (já) é Natal

Não tem mais para onde correr. Já é Natal. Os shoppings, lojas, farmácias, supermercados e alguns pontos da cidade já estão devidamente ornamentados com motivos natalinos. Diante disso, tem o grupo dos que gostam desse clima de fim de ano e o grupo dos que não vêem a hora do calendário correr e janeiro de 2012 chegar logo.

Sinceramente, não sei em qual grupo me enquadro – se é que preciso mesmo fazer parte de um deles. Minha relação com o Natal é bastante conflituosa. Tenho lembranças maravilhosas de Natais da minha infância, mas elas foram poucas. Por uma série de motivos que não vem ao caso falar, a maior parte da minha vida nesta época de fim de ano não foi de muitas alegrias.

Ainda assim, tenho procurado ser benevolente com o Natal e comigo mesmo quando chega dezembro. Quer dizer, como anda todo muito meio apressado de uns tempos para cá, essa minha benevolência com o clima natalino já começa desde antes. Tenho obtido algumas vitórias pessoais, no entanto cada fim de ano é um parto.

Gostaria muito que o Natal e o Reveillon fossem datas mais naturais para mim. O primeiro pensamento que dá quando chega o dia 24 de dezembro e o dia 31 é de ficar em casa, não ver ninguém e deixar as pessoas curtirem a tal alegria natalina. A cada ano, tento me livrar das lembranças tristes e consequentemente desse desejo de isolamento.

Nos últimos dois anos consegui sair da casca e participei das celebrações natalinas com mais boa vontade. Para isso, contei com a ajuda de um batalhão de pessoas queridas que, mesmo sem saber, me ajudaram a pensar no presente e no futuro e esquecer do passado. Até árvore de Natal eu montei em casa, com direito a enfeites e tudo o mais.

O último ano, ou melhor, o último final de ano foi bastante agitado emocionalmente. Mas, ainda assim, por mais paradoxal que possa parecer, foi um dos melhores Natais e Reveillons que tive. E se foi assim é porque novamente tive perto de mim um batalhão de pessoas especiais.

Terminei 2010 feliz por um monte de realizações pessoais e profissionais. Agora, em 2011, consegui multiplicar as conquistas. Certamente uma coisa não tem nada a ver com a outra, mas gosto de acreditar que este ano vem sendo especial porque estava do lado de pessoas especiais nas primeiras horas de janeiro.

A sensação do fim do ano passado é tão boa que sempre me vem à mente ou ao coração quando estou meio aperreado com alguma coisa. Sabe aquela criança que fecha os olhos e se enfia debaixo dos lençóis quando sente medo? É o que faço em relação às lembranças do último fim de ano. Sempre que a barra pesa transporto meus pensamentos para aqueles dias finais de dezembro.

Gostaria muito que o clima final de 2010 se repetisse neste 2011. Gostaria de não me sentir tão triste como em anos passados. Mas aí começo a perambular pelas ruas, vendo os enfeites e não consigo sentir aquele calor no coração. Sei que não estou sozinho neste barco. Tem gente que fica até pior do que eu com sintomas de depressão e tudo.

Não é o meu caso. Não sinto vontade de matar o Papai Noel ou me entupir com uma cartela de rivotril e beber um litro de uísque ao escutar o velho Ho Ho Ho. Acho algumas decorações natalinas até interessantes, apesar de neve e chaminés ser algo que não combina em nada com o Recife. Essa ponta de tristeza que se abate sobre mim no fim do ano tem a ver com coisas lá do fundo da alma e está mais ligada a minha memória afetiva do que a uma dúzia de bolas coloridas penduradas em uma reluzente árvore de Natal.

Tão certo como dois mais dois são quatro é que vou querer me esconder debaixo da cama quando o Natal e o Ano Novo chegar. Nas festas passadas, consegui me libertar disso e ser bem feliz. Este ano... bem, até agora, 1 a 0 para os fantasmas do passado.